quinta-feira, 14 de maio de 2026

 


Estava um homem fazendo trilha dentro de uma mata, quando encontrou adiante — próximo a um rochedo — uma caverna escura, de modo que ele conseguiu avistar dentro dela, uma luz que brilhava incessantemente. Por sinal, esta luz tinha um brilho azulado, e ela era toda radiante e esférica, e seus raios vibravam como uma sintonia da mais bela harmonia. E, vendo o homem a esta luz radi­ante e envolvente, foi ele ao seu encontro, de forma que quando perto dela chegou, quis tocá-la. Todavia, não conseguindo, a Luz Azulada para ele disse:

— Por que ó homem tu queres tocar, o que dentro de ti tu co­nheces como sendo a tua própria consciência Crística?

Desse modo, percebendo estar aquela Luz Azulada e brilhante falando com ele, o homem para ela respondeu:

— Por que eu quero poder sentir, quem comigo está falando!

Porém, retrucou-o a Luz Azulada:

— Tu me sentes, quando em meditação e silêncio me ouves! E ouvindo o que eu quero falar-te, tu és capaz de sentir o que quero dizer-te.

— O que me dizes nem sempre compreendo! — disse o homem à luz azulada. — Pois estando tu ocultas dentro de mim, tenho que ir buscar-te! E nem sempre consigo alcançar-te. Porque, nem sempre ando com o meu juízo perfeito, oscilando muitas vezes entre a von­tade de fazer o bem, como também o mal.

— Tu me terás sempre por perto quando tu imergires no teu si­lêncio interno. — retorquiu-o a luz azulada. — Já que, vejo todos os seus atos e ações. Se tu te permitires, através de ti poderei obrar ma­ravilhas, que só o Divino Espírito Santo pode por meio do homem fazê-las realizar-se.

— Eu quero que assim seja! — disse o homem. — Mas tenho por inimigo oculto, aquele que eu não posso ver como te vejo — radiante e perfeita. Este me tira o sono e a paz! E fica a me pestane­jar com pensamentos e sentimentos destrutivos. Ele me ameaça e me atormentas com desejos impuros e angústias dolorosa, que eu não sabendo como recorrer-te para me curar, adoeço. E me torno refém, de quem nem sequer ao menos consigo ver!

— Tu, ó homem! — contestou-lhe a luz azulada. — Não deves temer a sombra que não vês! Mas deves me ouvir em silêncio. Visto que, Eu Sou a tua consciência superior! E sendo tu quem me procu­ras ao adentrar em si mesmo, ilumino-te para que possas as obras do Divino Espírito Santo edificá-las. Entretanto, tu tens que se permitir deixar-me realizar, o que a tua mente quer mediante a ti induzir-te a fazer — em pecado e sofrimento —, coisas más realizá-las.

Por causa disso, ficou o homem agoniado por estar numa situa­ção em que: ele deveria optar por se deixar levar pelos seus senti­mentos destrutivos; ou ouvir a razão que de dentro dele falava.

Logo, a Luz Azulada o homem perguntou:

— Mas como eu posso edificar em espírito e verdade as obras do Divino Espírito Santo, se me falta sempre a força para que eu possa recorrer-te? Uma vez que, mesmo dizendo estar sempre comigo, sinto estar longe de mim! E este inimigo que me atormentas, este nunca me deixa! E sempre próximo a mim está.

— Eu estou contigo, quando tu me procuras para obrar com sin­ceridade, verdade e justiça! — replicou-lhe a luz azulada. — Por causa de, Eu Ser a razão pela qual a ordem e a justiça edificam as coisas. Já que, é a mim que tu encontras, quando a verdade e a jus­tiça procuras! Tu deves fazer, o que a tua consciência superior te intui a construir! Pois ouvindo a tua consciência inferior, tu desejarás querer executar, o que sabes ser mal a tua alma. E cedendo as an­gústias que tu queres te libertar, tu cederás às sombras que te querem aprisionar.

Dessa forma, inconformado por não poder ter a tão sonhada paz e liberdade que sempre desejou, este homem perguntou a Luz Azu­lada, como ele poderia conseguir persistir em vencer a sua sombra que sempre o importunava o ânimo, e desencorajava-o a terminar os seus projetos:

— E o que devo fazer para que eu possa a paz encontrá-la — se estou cheio de remorso, rancores, ódio e desejos de vingança? Tu queres preparar-me para ser obreiro da razão! Entretanto, só consigo ver-me destruindo, aos que eu quero me vingar.

— Eu o percebo estar sendo tomado pelos sentimentos pernicio­sos que lhe acalentam o corpo e a mente. — objetou-o a luz azulada. — Tu deves buscar orar, para que Eu estando contigo, possa ajudá-lo expulsar para longe, estas emoções que são oriundas da distorção que há dentro do seu âmago, das coisas santas que buscas cultivá-las. Posto que, o homem em natureza e verdade é perfeito; feito à se­melhança da consciência eterna que a tudo creou. Porém, estando o espírito encarcerado à matéria, fica o corpo sendo a prisão da alma! E a sombra, o carcereiro do espírito.

Por sua vez, querendo mais se aproximar da consciência que por diante dele estava — e se fundir a ela —, o homem disse:

— Eu quero poder tocá-la! — insinuou. — Mas não posso. — alegou. — Além disso, sendo tu tão delicada como a mais formosa pena de uma ave rara — ó luz azulada — és tu também tão leve e sutil quanto o sopro de uma brisa no calor escaldante do verão.

— Ó homem! Tu não deves querer me buscar para tocar-me! — reiterou a luz azulada. — Tu deves ter-me sempre acesa dentro de ti! — aludiu. — Pois, Eu Sou a consciência que emana do Eterno; e Eu Sou quem lhe direciona nos bons caminhos, e te edifico em sabedo­ria e verdade. A sombra que de dentro quer lhe enclausurar a consci­ência, está sempre a te forçar a agir no impulso dos desejos e das paixões. E na inação que ela quer te influir, ela te induz a acreditar sorrateiramente tu ter uma falsa consciência do que ela é capaz de realizar! Porque, é desse modo que, usando do subterfúgio das ilu­sões e truques de magia, engana a sombra ao espírito que estando encarnado, pensa estar buscando elevar-se em luz e sabedoria, quando, na verdade, está esse mesmo espírito, se precipitando no abismo da escuridão, que o levará sem dúvida alguma ao fogo do inferno da aflição.

 Perguntou o homem:

— E como eu faço para saber distinguir, quando és tu que está a orientar-me em bons caminhos? E quando é a sombra que está a me induzir a agir, no impulso das ilusões, que ela quer que eu acredite ser a verdade, no entanto, um atalho para a minha perdição?

— Tu saberás que Eu Sou quem no fundo da tua alma falo, quando tu me buscas ouvir estando em harmonia consigo próprio! — respondeu-o a luz azulada. — De tal forma que, estando calmo e sereno, estarei através de ti a fazer, o que de mais belo e sutil pode o homem realizar e dizer. E edificando-te nas obras da consciência Crística e da razão, estarás tu sendo edificado nas obras do Eterno! Uma vez que, é o homem realizador da vontade de Deus, quando ele se crê ser capaz de erigir o que de mais belo e justo há dentro dele. Porque, é a fé quem antes me traz o homem, e não a sua vontade de querer me encontrar.

— E como pode o homem ter fé, se este sempre está suscetível às dores do dia a dia, e as implicações dos seus próximos? — retor­quiu o homem pessimista.

— Deve o homem ser sempre sereno em suas ações e atitudes! — disse-lhe a luz azulada. — Porquanto, o homem sereno age — não pelo impulso do momento —, mas pela sabedoria que de dentro dele emana. Assim, o homem cônscio de seus atos, estará edificado na razão! Haja vista que, prudente de suas ações, pode ele dar passos seguros em seus empreendimentos, e estar sempre confiante em suas realizações.


 

Brincava uma criança em um monte de areia que havia num par­quinho, quando descobriu a um tesouro — uma joia rara. E, após encontrá-la, foi apressado contar aos seus amigos o que ela ti­nha achado, de modo que, foram os amigos desta criança correndo até o monte, onde ela havia encontrado a este maravilhoso tesouro.

Ao passo que, um destes amigos da criança olhando o brilho in­tenso que reluzia daquela preciosidade, perguntou-a:

— O que tu farás com este amuleto que tu achaste neste monte?

Respondeu-lhe a criança:

— Eu irei guardá-lo! — disse contente. — E quando eu me tor­nar adulto, irei vendê-lo.

De fato, passado um bocado de tempo depois àquela criança cresceu. Porquanto, já feita adulto, pegou o tesouro que ela tinha descoberto na sua infância, e o levou a um comerciante de joias.

Por sua vez, vendo este comerciante o valor daquela joia, ofere­ceu ao jovem adulto uma vultosa soma de dinheiro por ela, posto que, o jovem adulto aceitando-a, vendeu o seu tesouro ao joalheiro:

— Quanto que tu queres meu caro jovem por esta joia? — per­guntou-lhe o comerciante após analisá-la com cuidado e ter obser­vado o seu enorme valor.

Respondeu-lhe o jovem adulto:

O preço justo que o senhor estipular que ela vale.

Disse-lhe o comerciante:

— Pago-te o quanto tu estás disposto a abrir  mão dela. — afir­mou o comerciante enérgico.

Doravante, o jovem adulto respondeu-lhe:

— Que seja! Paga-me o quanto ela vale. Este velho amuleto não me parece ser muito útil agora.

Todavia, o comerciante de joias vendo a ingenuidade do jovem adulto, com um leve sorriso no rosto falou:

— Tudo bem! Estamos de acordo. Aqui está o quanto ela vale. — disse-lhe o comerciante após pegar na gaveta do balcão um grosso maço de notas de dinheiro em espécie.

Contudo, posteriormente a negociação do amuleto, após deixar a joalheria, o jovem adulto se arrependeu, por sentir ter se desfeito de algo muito valioso, mas que ele não sabia como explicar. E, com­pungido pelo ato insano que cometeu de loucura, foi tentar comprar de volta do comerciante a joia que ele tinha encontrado.

Doravante, já dentro da joalheria, ofereceu o jovem adulto ao comerciante o dinheiro mediante o qual ele tinha vendido a joia:

— Aqui está senhor o seu dinheiro! Gostaria de comprar de volta a joia que o senhor comprou de mim agora pouco.

No entanto, este se negou em vendê-la de volta, e falou:

— Não meu caro! — objetou-lhe o joalheiro com um gesto ne­gativo com a mão esquerda. — Tu me vendeste a joia mais rara que existe. — disse o homem com um semblante sereno, porém fe­chado. — Tu tens que aprender a valorizar os tesouros que encon­trarás ao longo da tua vida.

Por conta disso, desolado, o jovem adulto se retirou. E, a bem di­zer, envergonhado, voltou para a sua casa e tentou se suicidar. Mas, graças a Deus não conseguiu. Porque, lembrou-se de ir ao monte de areia no parquinho onde ele havia encontrado aquele tesouro em sua infância. E, cavando, cavando, cavando, encontrou outra joia rara tão bela quanto aquela que ele havia vendido ao comerciante de joias. Sabendo agora o valor que esta possuía, levou-a consigo e a guardou.

Por certo, desde então, ficou o jovem adulto com este amuleto, de sorte que agora ele tinha descoberto que este tesouro era ainda mais raro do que o outro que ele havia encontrado quando criança, no mesmo monte do parquinho.

E, conversando consigo em voz alta, expressou:

— Tenho que agora cuidar melhor da minha joia! — disse confi­ante. — Pois esta é mais rara, do que a que eu encontrei na minha infância. — segurava-a com os dedos da mão direita apertando-a no lado esquerdo do peito. — Esta joia é a essência de todas as coisas! — afirmou. — Ela precede a tudo o que existe, já existiu e ainda o que existirá.

A despeito do decorrido acontecido, aprendeu o jovem adulto a não mais trair a sua consciência Crística. O tesouro que ele havia encontrado era a sabedoria — a essência de todas as coisas. Con­quanto, vendendo-a ao comerciante de joias, ele traiu a sua Luz Inte­rior, pelas coisas mundanas e passageiras. Culpando-se, tentou se matar! Porque viu o valor que aquele amuleto possuía, depois de ter se desfeito dele.

E, de todo modo, arrependido, buscou encontrá-lo novamente. E encontrando-o, percebeu que esta joia incrustada no amuleto era mais valiosa do que a anterior. Visto que, agora, sabedor da valia deste tesouro (por ter se desfeito do antigo), ele se deu conta da sua riqueza incalculável, e que a possuindo, possuía o bem mais valioso que pode um homem dispor em sua vida: ser abençoado e ungido pela sabedoria divina do Pai Eterno.




Estava um homem em um dia de muita neblina observando o raiar do sol, que aparecia de vez em quando entre as nuvens do céu. À vista disso, ele pensava consigo o que haveria de ser do ho­mem, sujeito às forças sobrenaturais das quais ele não compreendia e desconhecia — mas que lhe afetava o estado anímico e a mente. E, desse modo continuava a pensar consigo em silêncio, até que apare­ceu para ele como a um forte clarão a figura de um anjo, que lhe falou:

— Ó homem! Por que tu estás matutando em teus pensamentos sobre os mistérios do espírito, se estes só são acessíveis aos que bus­cando a Deus em seu íntimo, os conhecem?

Dessa forma, surpreso com aquela aparição repentina e divina que ressoava de dentro do seu âmago, o homem ao anjo respondeu-lhe:

— Ó senhor! Sei que não sou digno de que me venha ao encon­tro responder-me sobre as conjecturas que faço, a respeito dos mis­térios de Deus. Mas, por eu também ser filho do Altíssimo, busco conhecer o mundo do qual faço parte, e no qual vivo.

— Ó homem! — exclamou o anjo. — Tu não deves procurar sa­ber sobre os segredos divinos, observando as nuvens do céu e espe­culando sobre os fundamentos da creação. Tu deves buscar co­nhecê-los, olhando para dentro de si próprio, que é aonde Deus te é presente em corpo e espírito.

E nisso apareceu o anjo caído — Samael — que espiando a con­versa entre esse homem e o outro anjo, perguntou-lhes:

— Sobre o que vós falais que eu não possa saber?

— Falamos do que não te interessa! — respondeu-lhe o anjo Anael furioso. — Porquanto, a palavra não te foi dirigida! Mas esta se faz presente entre os homens que a buscam dentro de si encontrá-la, quando em harmonia e beleza, acham o reino de Deus dentro de si próprios, onde está o trono do Eterno.

Por consequência, Samael, então, ao anjo Anael expressou-se:

— Se a palavra não me é dirigida (e eu quero conhecê-la), por que eu a procuraria no reino de Deus, se ela está aqui convosco, que tratais de assuntos que eu não os conheço? Por que eu me daria ao trabalho de procurá-la em segredo, se vós que conversais a conheceis em revelação, pela emanação divina que vem do Pai Eterno, através do poder do Divino Espírito Santo?

— A palavra é para os homens que a buscando dentro de si, a encontrão! — replicou-lhe incomodado o outro anjo novamente. — Não nas distorções que a inteligência cética causa na alma e no cora­ção do homem, mas no entendimento dos mistérios do Divino Espí­rito Santo revelados por Deus, no seu templo sagrado: o corpo hu­mano.

Em função disso, pediu esse anjo — que era mau — para que o querubim emanado de Deus, lhe desse maiores explicações sobre o assunto tratado com o homem, e fingindo humildade (mas conhe­cendo os mistérios divinos por ter sido expulso do céu), solicitou ao anjo que com o homem conversava, para que ele o explicasse:

— Explica-me como eu faço para compreender em espírito, o que eu só consigo entender pela lógica, por se o portador da ciência do Altíssimo?

— Não te deves meter-se onde não te é chamado! — replicou o anjo Anael de novo. — Tu perguntas a quem não lhe quer respon­der, o que tu queres ouvir por já conheceres sobre o que falo ao homem! Porque, deixastes que a soberba te tomasse o coração, quando traíste ao Pai Eterno que em verdade e sabedoria a todas as coisas conhecem. Pois, foste banido do céu, quando em teu intimo desejaste construir o teu próprio reino, e negaste ao que o Vosso Pai Celeste o havia confiado.

Consequentemente a esta resposta do anjo, retirou-se Samael en­vergonhado, por ter havido se intrometido na conversa dele com o homem que observava o céu, tentando confundi-los com a sua astu­cia, engendrando dentro dele à dúvida. Mas, o anjo Anael o conhe­cendo, fez com que Samael se afastasse, para que ele não pudesse corromper o homem com a sua maldade, fazendo-o se apostatar da sua fé.

Por conseguinte, o anjo Anael para o homem com quem estava conversando, falou:

— Tu não podes deixar que a sombra — que lhe quer atazanar a alma — venha dizer-te, o que não lhe cabe saber. Pois, Samael quer que tu busques por respostas no mundo externo (onde elas não existem), por saber que elas encontram-se primeiro dentro de ti mesmo. Porque, é desse modo que tu saberás dos segredos que só os que vivem para a luz podem sabê-los. Certamente, pois, é assim que os homens conseguem encontrar a paz que tanto buscam, por­que, o reino de Deus está dentro de vós.

— Mas por que devo buscar dentro do meu templo saber sobre os mistérios divinos, se este outro anjo que intrometestes em nossa conversa, a ti perguntou coisas que não lhe caberiam saber, mas que curioso queria sabê-las, ainda que segundo o senhor, ele já as sabia por ser o portador do conhecimento do bem e do mal? — replicou o homem ao anjo.

— Tu deves ter em consideração que a verdade é muito maior do que simples curiosidades daqueles que procuram por respostas, na superficialidade do intelecto humano. A verdade reside, onde só os mais altos hierofantes podem contemplá-la! Visto que, estes busca­rão em seus templos sagrados por todas as soluções que sabiam não encontrá-las no mundo ilusório da mente. Porque, é dessa maneira que eles ao mundo deixaram que a mentira o governasse, para serem governados pelo Divino Espírito Santo, que a todas as coisas co­nhece e a tudo vê, e se faz existir em sabedoria e verdade no coração do homem que sê fia em Deus.

Por sinal, notou o homem vir do anjo um grande entendimento espiritual. E interessado questionou-o:

— Mas o que deve fazer o homem, para os mistérios de o Divino Espírito Santo sabê-los, se estes segredos estão contidos dentro da mais incipiente verdade, que não pode o homem acessar, sem antes resignar-se a deixar as coisas do mundo para servir ao Pai Eterno?

— O homem vive para si próprio, quando busca servir-se da carne e das tentações às quais o diabo busca convencê-lo a se sujei­tar, quando ignora conhecer-se em espírito — que é o que ele sem­pre foi (antes de encarnar e se corromper pelos sentidos e pela ten­tação gerados por esse grande “computador cósmico” conhecido como cérebro). Porque, é dessa forma que se deixando levar pelos prazeres que ele lhe proporciona sentir, se entorpece o mesmo de satisfações materiais e luxuriosas que o corrompe a alma, por o cére­bro fazer o homem se abdicar de se entregar ao sagrado, trocando-o pelo profano. Por outro lado, ao deixar de procurar as respostas que não lhe podem ser compreensível pela lógica dos sentidos — mas só pela intuição d´alma —, o homem se eleva espiritualmente ao céu, por ouvir em seu íntimo o Cristo que habita em seu interior.

Entretanto, incomodava a este homem compreender o que ele achava muito difícil de ser entendido, pois, esse era um homem que almejava por respostas que não as encontrando no mundo das apa­rências (a imaginação), queria encontrá-las no mundo das ideias, donde tudo provém e donde tudo é emanado.

E, questionando ao anjo, perguntou-lhe:

— Tu dizes-me ser o homem afeito a procurar no mundo terreno através da ciência, o que ele deveria procurar em espírito dentro de si, por ser o mundo material, uma projeção distorcida do espiritual. Só que, não obstante, muitos fazendo isso, só encontram o ruído da mente, e pensamentos divagatórios que não os levam a lugar ne­nhum; e não conseguem penetrar além da dúvida que dentro do homem há. Como eu posso ter certeza que as respostas estão dentro de mim, se eu não ás encontro, quando as procuro no silêncio que tento achar da minha mente?

— As respostas lhe são reveladas quando tu as deixando vir do Eterno, te fazem compreensíveis ao olho e ao entendimento do espí­rito que tu és. — disse-lhe o anjo. — Não procures as respostas no silêncio dos seus pensamentos, porque a mente não se silencia, mas se educa! Uma vez que, ela sempre te será por tentadora a alma, e inoportuna ao seu desenvolvimento espiritual enquanto encarnado. Porque, ó criatura humana, é através da inteligência que o anjo Sa­mael se manifesta e procura te sabotar induzindo-te a dúvida e afas­tando-te da fé.

Porém, o homem retrucou ao anjo penoso por saber que a ver­dade está em ouvir, e não em falar:

— E o que eu faço senão posso compreender o que me é reve­lado em espírito e verdade? — perguntou-lhe. — Já que, sendo o que é emanado do Eterno se consta de difícil entendimento, à me­dida que, só pelos sentidos do intelecto posso buscar entender o que Ele quer me dizer?

— Tu não deves confiar ao intelecto às respostas que o Eterno te envia por sinais, toques e palavras que só lhe serão compreensíveis se estiveres atento ao que está ao seu redor. Para que tu compreen­das os sinais que te são enviados do Eterno, tu tens que primeiro abrir o teu olho do espírito através de meditações e estudos (e em certa medida, se conseguires através da tua persistência também pra­ticando a castidade). Porque, será assim que tu poderás entender os sinais. E para que tu o abras, tu deves primeiro buscar dentro de si, pelas respostas que lhe são enviadas por intuições que as verá fora de si mesmo, no mundo externo que pensas ser real, mas que é uma projeção do seu estado espiritual interior.

Contudo, se sentindo despreparado para exercer tamanho ensi­namento espiritual, pediu o homem ao anjo para que ele lhe desse maiores esclarecimentos, sobre como ele poderia fazer-se entender e ser entendido:

— Como eu posso praticar o que tu me ensinas, se eu não tenho o discernimento suficiente, para exercer a minha vontade sobre a mente?

— Tu não deves desejar exercer a tua vontade sobre a mente! — contradisse o anjo Anael. — Todavia, tu deves buscar ser compreen­sível aos mistérios que o Divino Espírito Santo tem por te revelar, quando tu o descobres dentro de si ouvindo ao seu silêncio interno, e intuindo o que ele a ti mostrar-lhe-á por meio da percepção dos teus sentidos, que lhe foram facultados por Deus, mediante do corpo em que tu te encontras encarnado, pelo discernimento de po­deres usar a razão. Porque, é dessa maneira que, assim, tu tornar-te-ás uno com o Pai em corpo e alma, e poderás, então, realizar as obras do Eterno, que por entre o teu corpo e a tua alma se fará co­nhecida no mundo pelos homens, daquilo pelo o qual tu fizestes existir pelo seu trabalho, do melhor que tiveres a oferecer ao teu próximo.

 


Era para ser mais um dia como outro qualquer, quando um ra­paz observando da sacada de seu apartamento o cotidiano das pes­soas, viu que havia na rua — onde atravessava a esquina de seu pré­dio — um garoto que vivia do trabalho de limpar o para-brisa dos carros, que paravam no semáforo.

Logo, por conta disso, percebendo ser o garoto muito jovem, a si mesmo o rapaz que observava da sacada do seu apartamento per­guntou:

— Por que há no mundo tantas injustiças? Vejo aquele garoto fa­zendo um tremendo esforço para poder ganhar algumas moedinhas, enquanto outros (assim como eu que moro neste apartamento) pos­suo uma renda salarial alta, que herdei dos investimentos do meu pai. Por que as pessoas não poderiam todas ter as mesmas condições de vida? Ou pelo menos, uma chance de vida parecida?

Consequentemente, após se questionar em pensamento, apareceu para ele um anjo. E este anjo lhe falou:

— Tu pensas ó homem, ser o mundo desigual! Todavia, não há desigualdades no mundo. O que há, é o que sempre houve: justiça!

Por sua vez, assustado com aquela aparição repentina e reluzente, o rapaz apavorado perguntou para o anjo:

— Mas quem tu és? Donde vieste? E como apareceste assim tão de repente sem que eu me desse conta da tua presença?

— Eu Sou o mensageiro d´Aquele que é Eterno! — respondeu-lhe o anjo. — E sabendo Ele o que tu matutavas em pensamentos, a mim mandou-lhe para que eu te desse maior esclarecimento sobre a situação das pessoas na Terra.

Com efeito, mais calmo e sereno, o rapaz se recobrando do susto, ao anjo interpelou-o:

— Então me dizes: Por que as pessoas não podem ter uma con­juntura de vida semelhante?

— Cada pessoa possui as condições de vida que as cabem pos­suir! — respondeu-lhe o anjo. — Porque, sendo cada qual dotado por um dom espiritual de Deus, é cada um apto a realizar, aquilo que lhe foi atribuído desde o princípio pelo Creador edificar.

Contudo, chateado com a resposta do anjo, o rapaz retrucou-o:

— Mas como pode alguns viver com tanto, e outros viver com tão pouco — ou quase nada? Como pode alguns ganhar o bastante (sem muito fazer); e outros trabalharem tanto (e pouco receber)? Isso para mim parece muito injusto. — observou.

— Ó homem! — exclamou o anjo. — Compreendas que a injus­tiça aos olhos de Deus não existe! Posto que, sendo Ele sabedor de todas as coisas, Ele dá a cada um, conforme cada um é cônscio e preparado para realizar a obra consoante a Sua vontade. E mesmo os que teimam em não fazê-la, esses a farão de acordo com o destino que a cada um Ele pré-determinou a terem que obrar. Visto que, a alma já é preparada para quando encarnar, no mundo laborar, aquilo que ela por Deus foi incumbida de trabalhar. E passar (ainda que não compreenda) por sofrimentos e tormentos; ou sorte e prosperi­dade, de acordo com as circunstâncias em que ela se submeteu estar, ao tentar fazer a sua vontade ou realizar a de Deus.

Todavia, o rapaz ainda não sentia plenamente satisfeito com a resposta do anjo. Por conseguinte, mais uma vez o interrogou:

— E por qual motivo Deus faz o destino dos homens desse jeito a ter que ele passá-lo? O que ao olho de Deus é justo, aos olhos dos homens muitas coisas parecem ser injustas! — declarou. — Dado que, sendo o homem que vive na pele (as mazelas ou a sorte das coisas), é ele quem sabe (ou pelo menos deveria saber), o porquê de ele viver conforme o seu destino, da maneira que Deus o determi­nou.

— O homem enxerga o mundo segundo a forma que ele gostaria que o mundo fosse! — contradisse o anjo. — Não obstante, ainda que o mundo se apresentasse — como o homem idealiza que ele se passasse —, seria o mundo antes feito em concordância com a von­tade de Deus. De tal maneira que, sendo Ele sabedor de todas as coisas (e a própria consciência que a tudo da forma, cor e movi­mento), é o homem sujeito a estar neste mundo em desafios, para que ele possa vê-lo (quando adentra no seu âmago), que tudo o que ele vive e vê no mundo, nada mais é, do que um reflexo que a pró­pria humanidade enxerga dentro de si própria.

Entrementes, decorrido a resposta do anjo, o rapaz retrucou:

— Mas senhor! — disse em tom ameno. — O senhor me afirma que Deus assim fez a vida do homem para que ele olhasse para den­tro de si, e percebesse que as coisas são conforme vemos dentro de nós mesmos. Ou seja, ao encontrarmos Deus dentro de nós, esta­mos percebendo as coisas como elas realmente são (não em con­formidade com o julgo do homem, mas em harmonia com a consci­ência de Deus). Ainda assim, por que os homens não conseguem ter as respostas para os dilemas de suas vidas (e para as dos seus seme­lhantes), se mesmo ele tentando encontrar soluções para os seus problemas por meio do uso da razão, apesar disso essas respostas não aparecem? E procurando-as em religiões, crenças e misticismo — ou até mesmo na ciência — todavia, o homem continua se sen­tindo perdido do Pai?

— Ó homem! — exclamou o anjo em tom grave. — O Pai não está e nunca esteve distante dos seus filhos! São os humanos que procurando fora de si mesmos encontrarem ao Pai, não O encon­trando, pecam por se negarem a buscá-Lo dentro de vós mesmo. Porque, vós O procurais nas ilusões que vós enxergais fora, que são as transgressões que vós cometeis dentro. Deus sempre esteve pre­sente na vida dos seres humanos! E quando vós estiverdes em silên­cio para poderem ouvi-Lo, vós O encontrareis! Já que, Deus sempre quis se revelar pelas obras que a humanidade faz, quando esta lhe confia os seus caminhos. No entanto, sendo a humanidade cordada às fantasias da mente atribuir significados (e não a voz que de seus corações fala), fica ela refém de seus pensamentos. E sendo estes um turbilhão de emaranhados complexos de difícil entendimento, a hu­manidade se perde (quando aos seus devaneios foca a sua atenção), e não ouve a sabedoria que lhes provêm do coração.

No entanto, contra-argumentou o rapaz demonstrando incon­formismo:

— Mas por que os sacerdotes de todas as religiões não ensinam a humanidade a procurar Deus dentro do âmago de cada ser humano, meditando e ouvido os seus corações ao invés de incitá-la a procurar as respostas na fé irracional sem obras, como também, nas supersti­ções? Não os criticou Jesus o Nazareno acusando-os de servirem a suas vaidades ao invés de servirem ao Pai Eterno:

Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus.

Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, por­que dizem e não fazem.

 Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos om­bros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los.

 E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois tra­zem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes, e amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas e as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi.

Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.

E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.

 Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo.

 O maior dentre vós será vosso servo.

E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.

Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.

Ai de vós, condutores cegos! Pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é deve­dor.

 Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que san­tifica o ouro?

E aquele que jurar pelo altar isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que está sobre o altar, esse é devedor.

Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar, que santi­fica a oferta?

Portanto, o que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que sobre ele está.

E, o que jurar pelo templo, jura por ele e por aquele que nele habita.

E, o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hor­telã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o ju­ízo, a misericórdia e a fé. Deveis, porém, fazer estas coisas, e não omi­tir aque­las.

Condutores cegos! Que coais um mosquito e engulis um camelo.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de intempe­rança.

Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.

Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que edificais os sepul­cros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas.

Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.

Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.

Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do in­ferno?

Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns de­les matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sina­gogas e os perseguireis de cidade em cidade;

 Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado so­bre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquías, que matastes entre o santuário e o altar.

 Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta ge­ração.

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a gali­nha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!

Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta!

Porque eu vos digo que desde agora nãome vereis mais, até que di­gais: Bendito o que vem em nome do Senhor”.

Posto isto, obviamente, sendo os sacerdotes os guardiões dos mistérios do céu (por serem eles a ponte que faz a ligação entre o mundo terreno com o divino por possuírem uma mediunidade mais aflorada do que a maioria dos homens), eles poderiam a toda huma­nidade revelar estes mistérios! Logo, desse jeito, poderíamos ter o caminho para o interior do nosso ser desvelado, e consequentemente estarmos mais perto do Creador se estes mesmos sacerdotes agissem em comunhão com a vontade de Deus, ao invés de servirem a si próprios mediante o nome de Deus para saciarem as suas vaidades, desejos e paixões.

— As religiões são partes das transgressões que a humanidade comete, ao procurar em suas doutrinas e idolatrias, os significados que deveriam atribuir ao Creador que dentro de cada um está. — explicou-lhe o anjo. — Não obstante, os homens ouvindo o que lhes vem à mente, não ouve o que em silêncio Deus lhes fala. E perdidos, não buscam encontrá-Lo dentro! Porque, eles não crendo Deus lá estar, procuram nos falsos sacerdotes que se intitulam “os guardado­res dos mistérios do espírito” — como tu bem disseste —, a verdade que está em cada um de vós. Não obstante, por vós não procurarem encontrar Deus no interior do vosso templo onde o reino d´Ele está assentado (por crerem Deus estar revelado nos livros ou objetos sacros), a humanidade se perde no materialismo bruto que há no mundo, e se transforma em pecadora e transgressora, ao invés de aos mistérios do Divino Espírito Santo buscar conhecê-los em sabe­doria e verdade, ouvindo o que lhes fala o coração.

Contudo, retrucou o rapaz:

— Se as religiões são enganadoras (por serem feitas e compostas por homens que se dizem serem intermediários de Deus); e sendo estes que se intitulam: “os guardadores dos mistérios do Divino Es­pírito Santo revelados por Deus através do verbo que se faz carne”, então, por que Deus não as destrói? Para que possa a sua palavra propagar entre os homens que a buscarem dentro do seu templo sagrado?

— Deus só age através da humanidade, quando as pessoas se permite agirem por intermédio da vontade do Divino Espírito Santo que lhes reveste de sabedoria a alma! — respondeu-lhe o anjo. — Dado que, só pode Deus interagir com a humanidade, quando esta buscar encontrá-Lo em espírito e verdade, ouvindo a sua Luz Inte­rior. Além disso, Deus realizará por entre a humanidade, as obras de sua natureza divina que é o amor, quando os homens aprenderem a enxergar fora o que primeiro lhes for revelado dentro.

Por consequência, notou este rapaz ter saído da boca do anjo uma grande verdade. E mais de perto observou o que o anjo lhe tinha respondido, de maneira que indagou-lhe um pouco mais:

— Quer dizer, que então, se a entre os homens a outros homens que querem ser o mediador entre Deus e todos eles, logo, por que Deus não os pune? Por vezes, agindo assim, esses falsos profetas mantêm a toda humanidade presa em mentiras e maldades. E mani­pulando-a, nunca termina este ciclo de falsidades e transgressões, que eles aos seus semelhantes atribuem terem que praticá-las. — retratou.

— Deus a esses homens infames pune! — afirmou o anjo. — Mas não te apercebes ainda, que muitos desses que tu pensas esta­rem em condições injustas, são aqueles que fizeram no passado a outros homens (em nome de Deus), o que Deus em espírito medi­ante eles não se permitiu fazer? — redarguiu-lhe o anjo de maneira retórica. — Embora aconteça destes homens serem guiados pelas suas mentes, motivados pelo desejo de posse, controle e poder sobre os demais homens, de fato, pois, eles se permitiram agirem em de­sarmonia com os seus semelhantes, quando as outras pessoas tenta­ram dominá-las. E não com elas conviverem em harmonia, que seria servindo a Deus em espírito e verdade; em luz e sabedoria, mediante as revelações que eles poderiam intuir meditando, para revelá-las aos homens através das suas boas obras.

Destarte, o rapaz retrucou-o:

— Ah! Quer dizer, então, que estas pessoas que estão em situação de vida dura (referiu-se aos desafortunados), foram no passado seres atrozes que agindo em nome de Deus, cometeram iniquidades, e que agora são punidos tendo que servir aos que no passado eles perse­guiram?

— Não é necessariamente assim. — disse-lhe o anjo. — Porém, muitas das pessoas — que vivem em um estado de vida degradante —, em algum momento de suas vidas passadas, foram negligentes com o caminho da senda direita (o percurso que leva o espírito ao encontro com Deus). Afim de que, buscaram nas sombras terem domínio sobre o próximo, e vivem hoje a eles terem que servir-lhes! Pois, não procurando a consciência Cristíca dentro de si mesmas, ficarão a mercê de terem que servir aos seus semelhantes nas condi­ções deteriorantes em que se encontrão, sem ao menos entenderem o porquê de fazerem isso. Entrementes, ainda assim, Deus lhes con­cede a oportunidade de para dentro de si próprios eles voltarem me­ditando e ouvindo os seus corações! De tal maneira que, sendo todas estas pessoas frutos da Sua vontade, são elas também cabíveis de ao Divino Espírito Santo encontrá-Lo no âmago do seu ser.

Logo, por sua vez, matutando em silêncio consigo mesmo, o ra­paz respirou fundo e ao anjo se expressou:

— Todavia isso que o senhor me respondeu, não pode ser usado como uma desculpa — e mesmo uma justificativa à primeira vista — pelos homens que hoje estão encarnados, a continuarem usando os seus semelhantes de modo a manterem-nos servindo-os com o mí­nimo necessário ao seu sustento? Ao passo que os subjugados com migalhas não os ameacem se rebelando, por possuírem os seus se­nhores, sobre eles domínio?

— Não! — exclamou com firmeza o anjo. — Os que encontram a Deus dentro de si sabem da sua vocação e dos seus desafios e vir­tudes. E sabedores de quem são e de quem foram, percebem serem instrumento da obra de Deus! Visto que, estando estes côns­cios de si próprios, estão cientes de servirem ao Senhor da Glória. E servindo ao Pai em espírito e verdade, ajudam aos seus semelhantes a encon­trarem o caminho que os levarão ao interior de suas almas, para que possam os perdidos nas trevas da ignorância — e na escu­ridão das mentiras da mente — voltarem à luz do Altíssimo habitar! Ou seja, quando estes também O encontrarem em seus corações, poderão a muitos acordar para quem eles realmente são e por quais causas as­sim estiveram por tanto tempo sufocados em miséria e pobreza.

 Porém, obstinado em tentar contrariar o anjo, o rapaz indagou-lhe:

— Ainda que o que tu me respondeste seja verdade — falou o rapaz descrente — então, por que o sistema se mantém como sem­pre foi? Por que existem homens que fazem ainda, o que no passado muitos destes que hoje estão em penúria fizeram?

— Esses que assim agem, agem por se deixarem enganar, por fal­sas promessas de dinheiro e poder! — referiu-se o anjo a miséria humana. — Uma vez que, buscando satisfazerem os seus desejos e vontades, não buscam se satisfazer em espírito e verdade! Que só o Eterno e verdadeiro Creador pode ao homem saciar-lhes a alma, ao se permitirem Deus agir edificando através deles boas obras.

Conquanto, ainda tentando contradizer o anjo, o rapaz questio­nou-lhe:

— Mas muitos dizem por aí, que agem mal — expressou o ho­mem referindo-se ao senso comum —, por serem os demônios que os induziram a assim agirem. E que eles não possuem culpa, de te­rem sido influenciados e usados pelos demônios. Não são essas pes­soas vitimas dos mistérios que eles nem sequer conseguem en­tender?

— Esses que se dizem terem sido influenciados e usados pelos demônios (para praticarem atos pecaminosos e mesmo bárbaros), são no mínimo mentirosos! — respondeu-lhe o anjo. — De tal ma­neira que, os demônios só agem quando o homem se permite es­cutá-los. E não sabendo muitos ouvirem, só aprende com eles, o que querem fazer de mal contra o seu próximo. Se buscassem agirem de maneira a conseguir deles obter (um pouquinho que seja de sabedo­ria sobre os saberes divinos), estes lhes diriam! Pois, mesmo sendo os demônios espíritos das sombras — aos mistérios da luz conhe­cem por já terem sido filhos do céu. E conhecendo-os, não negariam de lhes dizer aos que buscam a luz, que o caminho o qual procuram, só podem eles encontrar, quando para dentro de si embrenharem-se em procurar o reino de Deus que se encontra dentro de vós.

Logo, testemunhando o anjo responder-lhe com muita segurança e sensatez, o rapaz mais lhe perguntou:

— Entretanto porque os espíritos das sombras — que são por natureza má —, diriam aos homens que querem encontrar a Deus para absorverem-se em estudos e meditações? Como também, vez por outra, na medida do possível de cada um, praticando a casti­dade? Tu mesmo não me disseste que se encontra Deus, voltando-se para o seu interior? E não nas coisas ilusórias da mente, que é a ci­ência do mundo?

— Os espíritos das sombras servem a luz! — insinuou-lhe o anjo. — De tal forma que, sendo a luz a consciência que a todas as coisas faz existir, é a luz que determina o peso da correção que cada ser humano encarnado merece receber. Os espíritos das sombras agem de acordo com a lei. E sendo eles sabedores dos mistérios do Divino Espírito Santo, sabem que a Deus só pode a humanidade encontrá-Lo, dentro de si mesma. Mas estás certo em reafirmar o que eu a ti disse. — corroborou o anjo. — Não deve o homem buscar as res­postas (nas imagens ilusórias geradas pelos pensamentos e/ou pela imaginação), que são projeções distorcidas da luz no intelecto da humanidade. Pelo contrário, os humanos tem que buscar Deus em seu interior meditando! Para que possa estes enxergar fora de si atra­vés de sinais, toques e palavras, o que Deus lhes quer mostrar de bom e harmonioso dentro de vós mesmos.

Conseguintemente, por sua vez, surpreendido com a resposta do anjo, o rapaz replicou:

— Mas e tu? — instigou-o novamente. — És por mensageiro de Deus! — exclamou. — Sendo tu uma consciência interna a mim, então, por que falas das coisas santas de Deus, se eu a ti não te pro­curei? E sim foste tu que a mim vieste falar?

— Tu não me buscaste. — corroborou o mensageiro. — No en­tanto, buscaste a Deus quando adentrando no seu interior, procurou por respostas das desigualdades do mundo encontrá-las. Vim por vontade dele! — afirmou o anjo. — Posto que, Eu Sou instrumento da vontade do Eterno. Tu me encontras quando ao Eterno procura! — aludiu. — A julgar Eu Ser a sua Luz Interior. Dado que, sendo Ele quem fala em silêncio (as coisas que verás no mundo), primeiro dentro de ti Ele as revelará intuindo-te através de mim que sou o portador da Sua luz. Tu estavas consigo mesmo a conversar! E Ele sabedor dos teus pensamentos, mandou-me, para que eu possa (as dúvidas que matutavas na sua consciência), responder-te e ensinar-te a enxergar a vida não como tu gostarias que ela fosse, mas como ela realmente é.

Sinopse

  A Sapiência do Querubim é um livro que convida os leitores a imergirem neste fascinante mundo da transcendentalidade da alma humana, que o...